crônica

Dia Internacional da Mulher 2026

É extremamente important enaltecer-mos a força e a coragem da mulher num país que registrou um recorde de mil quatrocentos e setenta feminicídios em 2025. É chocante saber que a Internet, que pensávamos que nos ajudaria a avançar em direção a um futuro melhor, está na verdade sendo usada com maestria para nos dividir e, no caso das relações entre homens e mulheres, vem sendo um veículo crucial para a disseminação de missoginia e para o incentivo a violência contra a mulher. Isto não está ocorrendo apenas no Brasil, é um fenomeno mundial que anda de mãos dadas com o avanço da extrema direita no munto.

Quando estava desenvolvendo a protagonista de Personificadores, Raquel DeMornay, atriz maravilhosa limitada a trabalhar como personificadora de celebridades-digitais feito uma princesa de desenho animado num parque de diversões temático, eu queria explorar os desafios que as mulheres enfrentam no dia-a-dia. Seja no âmbito profissional, pessoal ou familiar, nós mulheres estamos o tempo todo pensando e planejando o que falar e como agir para conseguirmos ser ouvidas. Numa grande parte do tempo, mal o conseguimos. Para criar este senso de urgência e de contradição entre pensamento e ação que as mulheres passam a vida administrando, feito equilibrista de rua, que tem só o tempo do farol para causar a impressão correta e conseguir um trocado, no caso das mulheres, esse trocado é o respeito básico, optei pela narração em primeira pessoa e limitada ao ponto de vista da protagonista. Assim, os leitores acompanham as reações e os processos decisórios de Raquel conforme ela lida com os absurdos acontecendo ao seu redor, tenta controlar a ansiedade, o medo, e os problemas emocionais, e luta para sobreviver.

Neste dia especial, e em todos os outros, desejo segurança, respeito, liberdade e paz a todas nós.