Resenha: Neve na Cerejeira em Flor
Autora: Nathalie Letouzé
Páginas: 386
Editora Patuá
Publicação: 2026
ISBN: 978-6528103256
Disponível no site da Editora Patuá e na Amazon
No modelo narrativo da Jornada do Herói, para obterem sucesso, protagonistas rompem com suas famílias, comunidades, culturas e o mundo das interações sociais. O herói embarca em aventuras em busca de conquistas, vinganças, restituições, poder e gloria. E ele realiza tudo sozinho; o isolamento o leva à vitória. Para o herói, compartilhar poder e gloria enfraquece sua imagem.
A Jornada da Heroína, por outro lado, explora a noção de que dar-se de si e compartilhar conquistas contribui com a evolução de todos. A heroína não se interessa por vingança, restituições e gloria. Ela compartilha tarefas, conquistas e reconhecimento. E ela nunca realiza sua jornada sozinha; ela forma alianças e constrói relacionamentos.
A autora Nathalie Letouzé explora os dois modelos narrativos em seu romance, Neve na Cerejeira em Flor, publicado pela Editora Patuá. Além de ser uma leitura emocional, uma estória de superação e reinvenção, este é um livro que encanta quem curte estruturas narrativas diferenciadas.
O livro segue três tempos distintos na vida da protagonista que se entrelaçam no decorrer da estória:
Em um dos tempos, ela, já em sua nova versão, é professora de escrita criativa e está ensinando a Jornada do Herói a um grupo de estudantes. Os capítulos dedicados a este tempo futuro são verdadeiras aulas sobre a estrutura narrativa de livros, filmes e shows de TV que seguem este modelo clássico de narrativa.
Num passado doloroso, tempo em que ela estava mergulhada em profunda depressão pela perda da visão, a protagonista passa meses sem sair da cama sequer para tomar banho e escovar os dentes. Sem saber como ajudá-la, seus parentes e amigos se desesperam. Este período é referenciado em vários capítulos que se distribuem pelo livro até ela iniciar o caminho de ascensão.
No tempo presente, a protagonista está lidando com os desafios de aprender a viver sem a carreira que amava, sem sua independência pessoal, sem saber o que o futuro lhe reserva. No entanto, o modelo de estória pessoal da protagonista é o da Jornada da Heroína. Ela tem aliados para apoiá-la na sua reconstrução.
Achei muito interessante que Nathalie não revela o nome da protagonista, que é referenciada simplesmente como ela até bem próximo do fim do livro, quando ela finalmente se encontra reinventada e realizada.
Vai bem com chá de camomila com lavanda, para acalmar os nervos nos momentos mais dolorosos, café com broa de milho, para os momentos doces, e música clássica de Chopin.
